Papa Francisco recebe mensagem da UEMASUL

O professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, Moab César Carvalho Costa, participa do Sínodo da Amazônia, no Vaticano, em Roma, que este ano discute a floresta Amazônica. Moab representa a UEMASUL e o seguimento Pentecostal como Delegado Fraterno.

Durante o encontro, o professor entregou ao Papa Francisco uma mensagem especial da reitora Elizabeth Nunes Fernandes. Na mensagem estão destacados os princípios da UEMASUL, pautados no compromisso com o Desenvolvimento Regional, primando por uma relação equilibrada com a natureza, em perspectivas local e global.

Leia a carta na íntegra:

MENSAGEM À ASSEMBLEIA ESPECIAL DO SÍNODO DOS BISPOS PARA A REGIÃO PAN-AMAZÔNICA  SÍNODO PAN-AMAZÔNICO – Cidade do Vaticano – 6 a 27 de outubro de 2019

A Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão – UEMASUL, criada pela Lei Estadual nº 10.525, de 3 de novembro de 2016, é a primeira Universidade Regional do Maranhão, um dos estados do Brasil com os índices de desigualdade e pobreza ainda marcantes no seu tecido social.

Localizada na região Sudoeste do Maranhão, sua área de atuação compreende o Território Rural do Cerrado Amazônico, integrada por 22 municípios, com c. 700.000 habitantes, em quatro importantes bacias hidrográficas: Tocantins, Gurupi, Pindaré, Grajaú e Mearim. Território dos povos originários denominados de Timbiras Orientais.

Com a totalidade de sua área na porção oriental da Amazônia Legal, a UEMASUL tem por missão “Produzir e difundir conhecimentos, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão e formar profissionais éticos e competentes, com responsabilidade social, para o desenvolvimento sustentável da região Tocantina do Maranhão, contribuindo para a elevação cultural, social e científica, do Maranhão e do Brasil”. 

Dentre seus objetivos sistêmicos, apresentamos aqui aquele que se alicerça em fomenter a fraternidade, a equidade, a convivência, a solidariedade e a aproximação entre gerações, povos e nações, contrapondo-se a toda e qualquer forma de violência, preconceito, intolerância e segregação.

Um dos seus quatro princípios é o compromisso com o Desenvolvimento Regional, nos aspectos individual, social, político, ambiental e econômico, articulando-se com instâncias representativas dos diversos setores da sociedade, mediante um padrão equilibrado de relação com a natureza, em perspectivas local e global.

Esse contexto de ver, estar e agir no mundo que definimos para nossa Alma Mater se faz relevante na nossa mensagem nesse Sínodo da Amazônia, pois compreendemos a Amazônia para além de um Bioma, mas como um território onde estão conectadas de modo multidiverso as formas de vida, humanas e não-humanas.

A Amazônia é uma aliança.

Contribuir nos esforços poiéticos de luta, preservação e conservação da Amazônia, é na sua potência de agir, lutar pelos povos da floresta, sua cultura, seus saberes e sua importância como herança para o futuro de todos.

A urgente necessidade de uma tomada de consciência e de ações proativas em relação aos cuidados com o planeta terra, nossa casa comum, em especial a floresta Amazônica, acende um alerta e convoca toda a humanidade para uma mudança de posição imediata. Tudo está interligado, como nos adverte as concepções da Ecologia Integral, e nesse sentido, o Sínodo para a Amazônia se constitui no mais importante lócus de reflexão sobre o futuro do planeta.

As lutas pela preservação da Amazônia envolvem não só a questão do meio ambiente, mas de populações que sofrem com sua devastação, provocada pela cultura capitalista de consumo e de descarte. Ali, no centro e nas periferias, habitam os povos originários, cuja relação com a natureza é a mais profunda possível. Nesse sentido, consideramos urgente a necessidade de garantia dos direitos a terra, a inviolabilidade dos seus espaços, de sua cultura, de suas decisões voluntárias pelo isolamento e pela opção de uma relação mais próxima com o homem dito “civilizado”. É preciso que a eles seja garantida a alteridade e a autodeterminação.

Por outro lado, concordamos que é preciso garantir, também, a sobrevivência das comunidades amazônicas, dos ribeirinhos, seringueiros, pescadores e agricultores familiares que lá se estabeleceram. O avanço insaciável do agronegócio, da indústria da mineração e da produção de energia tem provocado inúmeros impactos socioambientais, incorrendo em crimes violentos contra lideranças que defendem a vida na Amazônia.

Com a atenção voltada para estas questões, a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão – UEMASUL tem firmado compromissos na formação de profissionais focados no cuidado dos mais necessitados, na agroecologia, na agricultura familiar, na sustentabilidade e no respeito a autodeterminação dos povos originários. E na convicção que esta é uma causa comum, declaramos nosso total apoio ao Sínodo da Amazônia e aguardamos com ansiedade as reflexões nele produzido.

Imperatriz – MA-Brasil, em 03 de outubro de 2019.

Conselho Universitário

Profª.  Elizabeth Nunes Fernandes

Reitora

Presidente do Conselho Universitário

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