UEMASUL promove a inclusão dos primeiros acadêmicos com deficiência

O ensino público e de qualidade deve ser destinado a todos de acordo com o princípio constitucional da educação nacional. A lei de cotas, criada em 2012, é destinada à pretos, pardos e indígenas, alunos de escola pública e também a pessoas com deficiência. A UEMASUL recebe este ano, pela primeira vez, alunos com deficiência. Para atendê-los, a universidade está em processo de adaptação, com a aquisição de equipamentos, materiais, mobiliário adaptado e também contratação de profissionais para acompanhá-los.

Campus Imperatriz

Dentre os ingressantes, está Rafael dos Santos Silva, de 21 anos, que está cursando Licenciatura em História. Ele concluiu o ensino médio em 2018, no colégio Estadual Governador Archer. Rafael tem baixa visão, e, é um dos dois alunos com deficiência visual.

Durante a entrevista, Rafael falou sobre a necessidade do ledor, que já está sendo providenciado pela universidade e também mostrou as ferramentas de acessibilidade que utiliza no celular. “É a realização de um sonho”, conta Rafael. “Quando recebi a notícia, fiquei muito feliz. Sorte que não tenho nenhum problema cardíaco, pois fiquei muito surpreso de ter passado”.

A mãe, Ana Lúcia, reforça o quanto o filho é dedicado e busca conhecer de tudo que possa auxiliá-lo nos estudos. “O Rafael é muito esforçado e tem força de vontade. Até porque é difícil estudar com as limitações que ele tem”. O processo de preparação para o vestibular foi na sala de aula e na sala de recursos oferecida pelo colégio. “Ele também fez o ENEM!”, comenta a mãe.

Valdeci Cabral, de 31 anos é outro acadêmico que tem baixa visão. Convidado a discursar na cerimônia de abertura do ano letivo, emocionou a todos com seu relato. Ele está cursando Licenciatura em Letras Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa.

Campus Açailândia

No campus Açailândia, o curso tecnólogo em Gestão Ambiental recebeu uma aluna cadeirante. Heloísa Oliveira, de 18 anos, tem atrofia muscular espinhal, uma doença degenerativa que retira a força dos músculos e ainda não tem cura. Ela utiliza uma cadeira de rodas e possui várias restrições, porém, se mostra confiante para a jornada universitária. “Eu espero alcançar as minhas próprias expectativas, me desenvolver bem no curso, crescer enquanto aluna e fazer amigos. Estava ansiosa para o primeiro dia, mas fui bem recebida, já conhecia alguns colegas e me senti acolhida.”

Acessibilidade

A Pró-Reitora de Gestão e Sustentabilidade Acadêmica em exercício, Maria da Guia Taveiro falou sobre o processo de adaptação da universidade. “Nós estamos muito felizes e nos adaptando para receber estes alunos e muitos outros, com quaisquer deficiências. Iremos estruturar um núcleo, pois já temos professores de LIBRAS e, em breve abriremos seletivo para professores ledores, que acompanharão os alunos nas atividades cotidianas, e a partir disso já poderemos criar uma estrutura melhor. Temos tido bastante apoio, das secretarias do governo, do Colégio Governador Archer, e do Setor de Inclusão à Diversidade (SIADI) da prefeitura municipal, que se ofereceram para dar suporte nesse processo.”

A UEMASUL já conta com rampas de acesso, corrimões e banheiros adaptados para cadeirantes, além de oferecer a disciplina de LIBRAS na grade curricular dos cursos de licenciatura. Neste momento, dois alunos têm deficiência visual, e para isso, serão selecionados professores ledores para acompanhá-los em aulas, avaliação e demais atividades, máquinas para impressão dos textos, leitores de tela para os computadores da biblioteca central e do laboratório de informática, além de implantar ferramentas de acessibilidade no site institucional.

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